Fogueiras, rojões, fogos, balões… Vamos dançar quadrilha?

Datas Comemorativas

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No mês de junho, época de Solstício de Verão na Europa, foram vivenciados muitos rituais para invocar a fertilidade da terra, garantir o crescimento da vegetação, a fartura na colheita e pedir pelas chuvas. Estes rituais foram praticados por diferentes culturas, em todos os tempos e na “Era Cristã”, a Igreja Católica adaptou-os às comemorações do dia de São João, que teria nascido em 24 de junho, dia do solstício.

Tradição dos portugueses desde o século XIII, a festa junina inclui Santo Antonio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho) e somam hoje, contribuições culturais de vários povos que aqui se estabeleceram com o passar do tempo.

Assim, temos a quadrilha, como uma dança de origem francesa, que tem suas raízes nas contradanças inglesas, surgidas no século XVIII, trazida pela família real portuguesa em 1808. Naquela época, somente a alta sociedade divertia-se em suas recepções ao som da quadrilha. Só depois, com o passar do tempo, a quadrilha deixou os salões aristocráticos para entrar nas festas populares e é dançada no interior para homenagear os santos juninos e agradecer as boas colheitas da roça. As comidas típicas da festa junina são influência da cultura indígena, preparadas à base de milho, pamonha, canjica, bolo de fubá, etc. As fogueiras de São João eram no começo, fogos de fertilização e purificação que se acendiam no dia do Solstício de Verão, na Europa (21 de junho), justamente antes das colheitas, em honra aos deuses para agradecer as suas bondades, ou imediatamente depois, para purificar a terra.

As festividades de São João, portanto, celebram a vida, o Sol, o fogo transformador que consome o velho para criar algo novo. É uma oportunidade onde se dança e canta os costumes herdados da sabedoria de nossos ancestrais.

Lembrando ainda que  São João é aquele que anunciou a chegada de Cristo, que iniciou a Era da consciência da luz interior, da força individual do ser humano. São João pregava o fim dos costumes antigos, crendices e tradições apegadas ao material, para dar lugar à verdade espiritual.

Então, numa época que evoca tantas reflexões trazidas dos tempos antigos, quando estamos no inverno e nos recolhemos para nos manter aquecidos em quietude, vamos refletir sobre essa luz interior que nos fortalece como indivíduos responsáveis pela própria biografia e pela possibilidade de melhorar o que está à nossa volta… Mantendo acesa essa luz interior como a imagem da fogueira de São João, podemos criar novas possibilidades  de uma vida cada vez melhor!

E, para as nossas crianças, há também contos especiais para essa época. Por isso, segue como sugestão o conto da Menina da Lanterna.

A Menina da Lanterna

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Era uma vez uma menina, que alegremente carregava a sua lanterna pelas ruas. De repente, chegou o vento, que com grande impacto apagou a lanterna da menina.

-Ah! Exclamou a menina – Quem poderá reacender a minha lanterna? Olhou para todos os lados, mas não achou ninguém.

Apareceu, então, um animal muito estranho, com espinhos nas costas, de olhos vivos, que corria e se escondia muito ligeiro pelas pedras – Era um ouriço.
-Querido ouriço! Exclamou a menina – O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderia acender a minha lanterna?

O ouriço disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois precisava ir para casa cuidar dos filhos.

A menina continuou caminhando e encontrou-se com um urso, em lenta caminhada, com uma cabeça enorme e um corpo pesado, desajeitado, grunhindo e resmungando.

-Querido urso! – falou a menina- O vento apagou a minha luz. Será que você não sabe quem poderá acender minha lanterna?

E o urso da floresta disse a ela que não sabia, que perguntasse a outro, pois estava com sono e ia dormir a repousar.

Surgiu então, uma raposa, caçando na floresta esgueirando entre o capim. Espantada, a raposa levantou seu focinho e, farejando, descobriu a menina. Indignada, a raposa dirigiu-se a ela e mandou que voltasse para casa porque a menina espantava os ratinhos.

Com tristeza, a menina percebeu que ninguém queria ajudá-la. Sentou-se numa pedra e chorou. Neste momento, surgiram estrelas que lhe disseram:

-Pergunte ao sol, porque ele poderá ajudá-la.

Depois de ouvir o conselho das estrelas, a menina criou coragem para continuar o seu caminho.

Finalmente, chegou a uma casinha, dentro da qual avistou uma mulher muito velha, sentada, fiando em sua roca. A menina abriu a porta, e cumprimentou a velha.

-Bom dia, querida vovó – disse ela.

-Bom dia – respondeu a velha.

A menina perguntou se ela conhecia o caminho até o sol e se ela queria ir com ela, mas a velha disse que não podia acompanhá-la, porque ela fiava sem cessar e sua roca não poderia parar. Mas pediu à menina que descansasse um pouco, pois o caminho era muito longo. A menina entrou na casinha e sentou-se para descansar. Pouco depois, pegou sua lanterna e continuou a caminhada.

Mais para frente encontrou outra casinha no seu caminho, a casa do sapateiro. Ele estava sentado consertando muitos sapatos. A menina abriu a porta e cumprimentou-o. Perguntou, então, se ele conhecia o caminho do sol e se queria ir com ela procurá-lo. Ele disse que não podia acompanhá-la, pois tinha muitos sapatos para consertar. Deixou que ela descansasse um pouco, pois sabia que seu caminho era longo. A menina entrou e sentou-se para descansar. Depois que descansou, pegou a sua lanterna e continuou a caminhada.

Lá longe, avistou uma montanha muito alta.

Com certeza, o sol mora lá em cima, - pensou a menina e pôs-se a correr, rápida com uma corsa. No meio do caminho, encontrou uma criança que brincava com uma bola. Chamou-a para que fosse com ela até o sol, mas a criança nem respondeu. Preferiu brincar com sua bola e afastou-se saltitando pelos campos.

Então, a menina da lanterna continuou sozinha o seu caminho. Foi subindo pela encosta da montanha. Quando chegou ao topo, não encontrou o sol.

-Vou esperar aqui, até o sol chegar – pensou a menina, e sentou-se na terra.

Como estava muito cansada de sua longa caminhada, seus olhos se fecharam  e ela adormeceu.

O sol já tinha avistado a menina há muito tempo. Quando chegou a noite, ele desceu até a menina e acendeu a sua lanterna.

Depois que o sol voltou para o céu, a menina acordou.

Oh! A minha lanterna está acesa! – exclamou e, com um salto, pôs-se alegremente a caminhar.

Na volta, reencontrou a criança da bola, que lhe disse ter perdido a bola, não conseguindo encontrá-la por causa do escuro. As duas crianças procuraram, então, a bola. Após encontrá-la, a criança afastou-se alegremente.

A menina da lanterna continuou o seu caminho até o vale e chegou à casa do sapateiro, que estava muito triste, na sua oficina. Quando viu a menina, disse-lhe que seu fogo tinha se apagado e suas mãos estavam frias, não podendo, portanto, trabalhar mais. A menina acendeu a lanterna do sapateiro, que agradeceu, aqueceu as mãos e pôde martelar e costurar os seus sapatos.

A menina continuou lentamente a sua caminhada pela floresta e chegou ao casebre da velha. Seu quartinho estava escuro. Sua luz tinha se consumido e ela não pôde mais fiar. A menina acendeu nova luz e a velha agradeceu, e logo sua roca girou sem parar, fiando, fiando, sem cansar.

Depois e algum tempo, a menina chegou ao campo e todos os animais acordaram com o brilho de sua lanterna.

A raposinha, ofuscada farejou para descobrir de onde vinha tanta luz. O urso bocejou, grunhiu e tropeçando desajeitado, foi atrás da menina. O ouriço, muito curioso, aproximou-se dela e perguntou de onde vinha aquele vaga-lume gigante.

Assim, a menina voltou feliz para casa.


Dra. Carmem Silvia

www.clinicaamai.com.br

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Maternidade Consciente

Maternidade

marjorie-e-nara-em-corte Uma questão de escolhas. Tratando de algo tão instintivo e intuitivo como a maternidade, que tipo de termômetro podemos usar senão a própria consciência das nossas escolhas?

Logo que uma mulher engravida ou planeja engravidar e formar uma família, uma enorme quantidade de questões aparecerem, questões de todas as ordens, das banais às existenciais: Como será o futuro do meu filho? Em que mundo ela vai crescer? Como educar? Onde viver? O que preciso comprar para o bebê? Quem vai me ajudar? E se meu casamento acabar? Fralda descartável ou fralda de pano? Parto normal? Cesariana? Dormir junto ou deixar no berço? E outras tantas perguntas que somente a própria experiência poderá responder... Muitas vezes vejo mães que sofrem amamentado, sem prazer em realizar esta função, outras que vêem seus bebês chorando e choram junto na dúvida se devem ou não pegá-los no colo. São os mistérios da maternidade e da individualidade.
Tudo bem, tudo certo. Aceitação das coisas como são, das pessoas como são, com seus entendimentos, limites, limitações e possibilidades. O que vale é amar e fazer o melhor. Percebo no exercício de meu trabalho, que minhas grandes convicções e experiências próprias como mãe simplesmente não funcionariam para outras mulheres, por mais que eu adoraria que todas as mães pudessem parir naturalmente. Vejo que esse não é o caminho para algumas.O que faço é questionar, informar, colaborar com a segurança e o bem estar na decisão de cada um. Encanta-me saber que a maternidade é uma grande oportunidade de renascimento, de parir novos conceitos para si mesmo, examinar, observar e reciclar! Criar novas realidades e poder desenvolver, praticar o que acredita e por que não, tentar algo novo que faça sentido.
Que estejamos presentes, conscientes da importância de nossas escolhas, sabendo que não há certo ou errado, e que os resultados só podem ser avaliados depois da ação. A determinação em poder fazer escolhas condizentes consigo mesma, é diferente de fazer uma escolha por medo ou acomodação.
Então, minha sugestão é de que vivencie todas as peculiaridades desta nova relação mãe/filho, mãe/pai/filhos. Estamos todos descobrindo o que é integração, respeito e individualidade nessa relação familiar. Não há fórmulas ou receitas na maternidade, somente presença, atenção e autoconhecimento.
Coragem para seguirmos nossas intuições, também poderá nos colocar no caminho certo. No melhor caminho para nós. O nosso caminho, aqui e agora!

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Gerando relações saudáveis.

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gestante4Quando estive grávida, este período mágico na vida de uma mulher, tive a felicidade de fazer aulas de Pilates com uma professora maravilhosa, a bailarina Daniela Stasi. Ela me dizia que eu deveria procurar carregar o bebê próximo a mim, trazê-lo o mais perto possível e não deixar que ele me carregasse.
Para alguém que escutasse de fora poderia soar como um conselho de cunho mais psicológico, de proteção, afetividade.
E não deixava de ser. Só que no caso, além da proteção da minha filha, ela também se referia a uma proteção mais pessoal, a do meu corpo.
Conforme se desenvolve, dia após dia, minuto a minuto, o bebê vai ocupando um espaço cada vez maior dentro do útero que se expande sem culpa dentro do corpo da mãe.
O útero, um órgão a princípio pélvico, passa a ocupar boa parte da cavidade abdominal.
A região mais livre desta área é a barriga, daí o grande e belo volume anterior. Para trás a coluna não permite expansões.
Garantir o desenvolvimento saudável da mãe, juntamente com o do bebê, significa desenvolver uma conexão eficiente e consciente entre a mãe e seu centro de força, seu CORE.
Falamos aqui de toda musculatura abdominal, dorsal, assoalho pélvico e diafragma. Uma ação eficiente desse centro garante que o bebê fique mais próximo da coluna vertebral ao invés de levá-la para diante promovendo uma acentuação exagerada em suas curvas (em especial a lordose lombar), o que muitas vezes causa lombalgias.
Uma sugestão de prática simples e eficiente para as futuras mamães:
Sentada sobre os ísquios, inspirar suavemente e, enquanto expira longamente, imaginar uma faixa se ajustando de forma envolvente em torno de todo tronco , todo abdome (ação do músculo transverso abdominal) enquanto, ao mesmo tempo, pensa em suspender, elevar seu assoalho pélvico . Inspire novamente mantendo essa ação de trazer o bebê para próximo e, expire novamente enfatizando essa ação. Relaxar completamente abdome e assoalho pélvico após as duas expirações ativas.

Para gerar uma vida saudável precisamos garantir qualidade na nossa vida. Estabelecer relações saudáveis com nosso corpo é um bom caminho.

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A Páscoa e outras festas do ano

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A Terra gira em torno de si mesma durante o período de 24 horas. A parte voltada para o sol está vivendo o dia, enquanto a parte oposta está na escuridão da noite.
A terra também gira em torno do sol, num período que define um ano (365dias).  Devido a certas características do seu eixo de rotação, a cada seis meses é um hemisfério que está voltado para o sol. Essas posições são conhecidas como Solstícios: Solstício de Verão para o hemisfério voltado para o Sol e Solstício de Inverno para o hemisfério voltado contra o Sol.

Entre os Solstícios, temos posições intermediárias, conhecidas como Equinócios, onde os dois hemisférios estão simetricamente dispostos em relação ao Sol: Equinócio de Primavera para o hemisfério que está indo do Inverno para o Verão e Equinócio de Outono para o hemisfério que está indo do Verão para o Inverno.
Dessa forma temos as quatro estações do ano.
Esses ritmos do macrocosmo, (dia e noite e as estações) refletem-se diretamente na natureza, influenciando no clima, na vegetação (colheitas), nas marés, no curso dos astros, entre outros e também no ser humano. Em cada um deles, as forças divinas atuavam e se manifestavam.
Desde a antiguidade, esses fenômenos da natureza são festejados e vivenciados nesse ritmo anual, nessas quatro grandes épocas. Pela orientação antroposófica, que segue o calendário cristão, esses ritmos são comemorados em 4 festas do ano: a Páscoa, a Festa Junina, a Festa de São Micael e a Festa do Natal.

Em cada uma delas, o conteúdo arquetípico, que nos alimenta animicamente é estimulado.
Assim como acontece ao ouvir um conto de fadas, a criança também absorve os conteúdos destas quatro épocas, de forma natural, pois tem mais facilidade de lidar com as imagens simbólicas do que com interpretações dessas vivências através do intelecto. Na verdade, esses conteúdos já estão impregnados na alma do ser humano, apenas é necessário que sejam despertados.

A celebração das festas anuais é um excelente recurso para possibilitar à criança essas vivências que vão alimentar a alma, proporcionando sentimentos de alegria, amor, coragem, renovação, confiança e segurança diante do mundo.

Na Páscoa, o que deve ser vivenciado é a possibilidade da vida, é a morte x ressurreição de hábitos e atitudes, de pensamentos, sentimentos, enfim de tudo que nos permeia e que pode ser transformado para nosso crescimento e evolução. É preciso que deixemos morrer em nós aquilo que não queremos mais, que já não nos é mais útil, pois só assim, poderemos permitir que o “novo” aconteça.

Como estamos nestes dias de abril, vivenciando o momento da Páscoa, fazemos a vocês um convite: vivifiquem em si mesmos a morte do que já não faz mais sentido, a possibilidade da vida e do renascimento de novas forças, novas idéias, novas dinâmicas de pensar.

Se, vocês, pais ou educadores, puderem realizar esse exercício interior, poderão preparar suas crianças para esta época com coerência e poderão apresentar a elas os símbolos corretos como alimentos anímico-espirituais, resgatando o verdadeiro sentido da Páscoa.

Como sugestão, segue duas pequenas histórias que poderão ser contadas às crianças nesta época:

• História para a Páscoa  indicada para a faixa etária dos 3 anos.
• O coelho da Páscoa (conto russo) indicada para a faixa etária até 7 anos.
• Coelho põe ovos na Páscoa? - por Dr. Moises no Blog Clínica Amai


Dra. Carmem Silvia

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